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  • Mazé Andrade

Coleção Máscaras Africanas

Atualizado: 17 de abr. de 2021








Longe de meras obras de arte decorativas, as máscaras africanas são ricas em significados que variam de acordo com a etnia na qual foi concebida, sendo transmitidas por gerações como algo sagrado. Estima-se que existam centenas de etnias no continente, cada uma, obviamente, com sua cultura e dialetos próprios, o que as distinguem.

É na África Subsaariana que as máscaras ganham destaque. Suas dimensões e formatos variam de acordo com sua finalidade, mas estão sempre presentes em diversos eventos, como nascimento, casamento, funerais, preparação para guerra, títulos honoríficos, festivais, cerimônias de iniciação de jovens, além de rituais mágicos para curas de doenças, dentre outros.

Nas cerimônias, as máscaras assumem um caráter místico; elas são o elo entre os seres humanos e os espíritos. Aqueles que as vestem muitas vezes acreditam incorporar outras entidades. Por isso, a criação dessas peças sagradas precisa de autorização do chefe religioso e de um local reservado. Cada povo imprime nas máscaras suas tradições e crenças. O produto final traz o estilo cultural ditado pela comunidade e a visão do artista.

Muitas características são herdadas de antigas etnias ao longo dos séculos. Assim, algumas máscaras representam animais, simbolizando a força deles, por exemplo. Na Costa do Marfim, máscaras possuem os olhos semicerrados para expressar a paz. As Tchokwe, feitas em madeira e fibras vegetais, celebram a fertilidade por meio de figuras femininas. A madeira é a principal matéria-prima usada na África, mas algumas peças também são feitas de pedra, bronze, cobre, marfim, dentre outros.

A arte africana influenciou outras culturas, sendo apontada como fonte de inspiração da Arte Moderna. Henri Matisse, Pablo Picasso, Andre Derain, ao mergulharem nesse “novo” universo, renovaram o estilo europeu. As formas geométricas das máscaras Fang, por exemplo, teriam encantado Picasso. Após conhecê-las numa exposição, o espanhol enveredou pelo movimento cubista. As máscaras africanas estão presentes em museus de todo mundo, sendo sua apropriação por essas instituições fomentado discussões polêmicas. Muitos acervos bibliográficos também já exploraram esse tema.

MAZÉ ANDRADE - Sempre inspirada na natureza, a artista pernambucana Mazé Andrade encontrou nessas máscaras uma manifestação de respeito ao nosso planeta. Após estudos e pesquisas, encantou-se ainda mais. “A cultura africana é riquíssima. Os povos reverenciam as florestas, seus antepassados e, dentro de suas crenças, buscam elevar-se espiritualmente”, observa, acrescentando que o fato de ela ser Católica não muda a admiração que tem pelas máscaras (que são ancoradas em outras religiões).

Partindo desses estudos, Mazé criou uma coleção de máscaras. Todas modeladas no barro e fundidas em fibra de vidro com resina ou massa plástica. O acabamento é pintura. Em algumas delas, também usou fibras vegetais, sementes e estopa. “Fiquei encantada com o que pude ver. Posso dizer que sou uma admiradora e uma pequena aprendiz”, ressalta.

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